Psicóloga pode divulgar preço e depoimentos nas redes sociais?
Em regra, não. As orientações do Conselho de Psicologia vedam usar o preço como propaganda, o que inclui descontos, pacotes e gratuidade, e não recomendam publicar depoimentos de pacientes, mesmo com autorização e sem identificação. A exceção conhecida é o atendimento exclusivamente online, que deve informar o valor sem transformá-lo em destaque da publicidade.
Por que o preço não pode virar propaganda?
A cartilha Orientações sobre Publicidade Profissional, do CRP-MG, em sua segunda edição, de 2026, é clara: a publicidade não deve "usar o preço do serviço como forma de propaganda". O material detalha o que isso significa no dia a dia.
Segundo o material, ficam de fora da publicidade a gratuidade, os descontos, as promoções, os pacotes, os cupons, os sorteios, a venda casada e expressões como "custo social". O valor deve ser combinado de forma reservada com a pessoa atendida, antes do início do trabalho. A referência pública para quem quer entender valores é a Tabela de Referência de Honorários da categoria.
Existe uma lógica de cuidado por trás disso. Quem procura terapia está, muitas vezes, em um momento delicado. Uma oferta chamativa pode apressar uma decisão que merece tempo.
E se o atendimento for só online?
Aqui a cartilha traz uma exceção relevante. Em serviços ofertados exclusivamente online, o valor deve ser divulgado. Mesmo assim, segundo o material, "o valor não pode ser o destaque da publicidade".
Na prática, isso significa informar o valor de forma clara e discreta, em um lugar onde a pessoa interessada encontre, sem fazer dele o centro do post ou da página.
A cartilha também menciona projetos sociais com propostas bem definidas, que podem divulgar acesso a valores mais baixos. A divulgação individual de preço reduzido, por outro lado, é considerada inadequada.

Depoimentos de pacientes são permitidos?
Com autorização da pessoa atendida, a cartilha do CRP-MG resume assim a publicação de depoimentos: "permitido, porém não é recomendado". E a reflexão ética vale mesmo quando o depoimento não identifica a pessoa e tem a autorização dela.
O material levanta uma reflexão bonita sobre isso. Cada processo terapêutico é singular. O relato de uma pessoa diz pouco sobre o que outra vai viver, e expor essa experiência pode mexer com o sigilo que sustenta a relação.
O que a psicóloga pode divulgar, então?
Bastante coisa, e com muita margem para construir uma marca pessoal consistente. A cartilha lista como informações obrigatórias o nome completo ou nome social, a palavra "psicóloga" ou "psicólogo", a região do CRP e o número de inscrição.
Também é possível divulgar:
o público que você atende e a abordagem teórica com que trabalha;
sua formação, desde que uma qualificação não seja apresentada como especialidade;
área de atuação e experiência, para quem ainda não tem títulos;
apelido, arte e logomarca, desde que vinculados ao nome completo e ao número do CRP.
O título de "Dra." fica reservado a quem tem doutorado. Esse detalhe aparece com frequência em perfis e vale a revisão.
Caixinha de perguntas e opinião pessoal: onde fica o limite?
A cartilha recomenda separar o perfil pessoal do profissional. Opiniões morais, religiosas, políticas ou ideológicas podem gerar dúvidas sobre o que é posição pessoal e o que é posicionamento técnico da Psicologia.
Sobre as caixinhas de perguntas, o alerta é direto: responder questões genéricas e descontextualizadas, sem avaliação adequada, pode ter impacto negativo para quem perguntou e para quem lê a resposta. As respostas precisam se apoiar na ciência psicológica e considerar a complexidade de cada demanda.
Como construir uma marca pessoal forte dentro dessas regras?
Quando o preço e o depoimento saem de cena, sobra o que realmente diferencia uma psicóloga: o jeito de pensar, de escutar e de explicar. Esse é o material mais valioso de uma marca pessoal na área da saúde mental.
Na Crialuz, trabalhamos com slow branding, um processo que começa pela Raiz e pela Essência da profissional, antes de qualquer decisão visual. Depois passamos por Público-Alvo e Persona e por Diagnóstico e Diferenciação, para só então chegar à Expressão e Manifestação da marca.
Para psicólogas, essa ordem faz diferença. Uma profissional que sabe com quem quer trabalhar e qual abordagem sustenta sua prática consegue escrever com segurança, escolher temas com critério e manter um tom coerente. A identidade visual passa a traduzir esse cuidado.
Algumas escolhas que ajudam:
apresentar com clareza o público e a abordagem, logo na bio;
produzir conteúdos que expliquem conceitos e processos, sem prometer resultados;
mostrar o ambiente de atendimento e a forma de trabalho, preservando qualquer dado de paciente;
manter uma linguagem acolhedora e precisa, que combine com a experiência do consultório.
Esse caminho apareceu de forma muito nítida no projeto com Noéle Gomes, psicanalista, mentora e pesquisadora de ancestralidade e filosofia africana. No início, o trabalho foi estruturar e vender suas formações e produtos digitais. Com o aprofundamento da pesquisa, a marca precisou sustentar a passagem para o mercado corporativo e a formação de lideranças, e o maior desafio foi traduzir esse conhecimento em uma narrativa madura para tomadores de decisão. Vieram convites internacionais e pedidos para conduzir formações para Natura, Banco do Brasil, iFood e Instituto Itaqui. Conheça o case completo de Noéle Gomes.
Este texto se apoia na cartilha do CRP-MG e no Código de Ética da profissão. As orientações regionais podem trazer detalhes próprios, então vale consultar também o Conselho Regional de Psicologia do seu estado.
Se você é psicóloga e quer construir uma marca pessoal ética, clara e com a sua voz, a Crialuz está disponível para uma conversa cuidadosa sobre o seu momento.
Perguntas frequentes
Psicóloga pode fazer promoção da primeira sessão?
Segundo a cartilha do CRP-MG, não. Gratuidade, descontos, promoções, pacotes e sorteios entram na vedação de usar o preço como forma de propaganda.
Posso informar o valor da sessão no site?
Se o atendimento for exclusivamente online, o valor deve ser informado, sem ser o destaque da publicidade. Nos demais casos, o valor é combinado de forma reservada.
Posso usar "Dra." no Instagram?
Somente se você tiver título de doutorado. Sem ele, use seu nome, a palavra psicóloga e o número do CRP.
É obrigatório ter perfil pessoal e profissional separados?
A cartilha recomenda a separação para quem usa redes sociais na publicidade profissional, para não confundir opinião pessoal com posicionamento técnico.
Posso usar apelido e logomarca?
Pode, desde que estejam vinculados ao seu nome completo ou nome social, ao CRP e ao número de inscrição.
Posso responder dúvidas na caixinha de perguntas?
Pode, com cuidado. As respostas devem se apoiar na ciência psicológica e evitar orientações genéricas sobre casos que exigiriam avaliação.






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